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Ideias · Carreira

O caso da professora milionária

Uma história sobre valor, percepção e reposicionamento

Livia Zillo, Ph.D. · Founder & CHTO··3 min de leitura

Vez ou outra eu gosto de trazer alguns cases de clientes, especialmente quando acredito que os insights que eles têm são válidos para tantas outras pessoas.

Quando essa cliente chegou para iniciar o processo comigo, sua fala foi "eu não tenho a menor ideia do que eu quero". Não é raro ouvir essa dor das pessoas, mas com ela existia de fato uma preocupação na voz, uma preocupação de que, para se sentir em paz, ela precisava descobrir esse "querer"; e o mais importante é que esse "querer" precisava estar muito conectado com o propósito dela. Não foi um processo curto. A única garantia que dou para os meus clientes com esse pedido é a garantia de que eles terão algo muito mais valioso do que a resposta: eles terão clareza.

Logo de início trabalhamos o propósito, em seguida a visão de futuro, sessões de temas livres que enriqueceram as tarefas entre cada encontro e foram despertando e modelando algo novo... como se estivéssemos trabalhando com argila, sabe? Você pega a argila totalmente descaracterizada e aos poucos, delicadamente, com estrutura e calma, vai modelando essa argila, até que ela tome forma.

Quando o cliente está imerso, envolvido, dedicado e disposto, o processo é muito mais suave para ambos os lados, e essa cliente em particular queria muito descobrir-se, desvendar os próximos passos, e mesmo desconfortável ela continuou. Até que um dia, amarrando muitas pontas de diversas informações que ela foi esclarecendo, ela soube que queria trabalhar com algo na pedagogia. E vejam bem, o mais belo de tudo: essa cliente possui aproximadamente duas décadas de experiência no corporativo, dentro de ambientes de bancos.

P E D A G O G I A foi a palavra que surgiu, e ainda mais específica: professora do ensino infantil.

Fomos então mais empenhadas nas ações específicas, tarefas direcionadas para de fato descobrir se isso era coerente com tudo que ela havia experienciado nos últimos meses comigo... o quebra-cabeça encaixou, mas sabe quando você precisa entortar uma pecinha para caber? Estava ainda dessa forma. Foi então que dei a ela uma tarefa muito simples: procurar no LinkedIn as vagas que existiam para aquela profissão que ela gostaria de aprender e reiniciar uma nova carreira.

E lá foi ela fazer a tal pesquisa... pesquisou, pesquisou, e pouco encontrou. Foi aí que perguntei "o que foi que você pesquisou?", e foi então que percebemos que em todas as buscas que ela fez, em nenhuma ela utilizou a palavra-chave professora.

Nesse instante percebemos a distância que o subconsciente dela estava impondo à parte da consciência. Desvendamos um caminho de autoexigência, autojulgamento, medo e preconceito. A parte subconsciente ainda não havia aceitado a transição de executiva para professora do ensino infantil, por inúmeras questões.

A partir deste instante, ela despertou, assumiu seu lado professora, assumiu seu propósito, assumiu sua visão de futuro e, acima de tudo, assumiu seu futuro. Neste instante, ela se tornou milionária, pois a coisa mais valiosa que ela poderia ter neste instante é a C L A R E Z A.

Publicado originalmente no LinkedIn.

Diagnóstico · empresa e carreira

Oito perguntas. Um retrato que se monta enquanto você responde.